Lençóis Maranhenses Lençóis Maranhenses: água doce ou salgada? Como as lagoas se formam

Lençóis Maranhenses: água doce ou salgada? Como as lagoas se formam

Nos Lençóis Maranhenses, a água doce é a regra: as lagoas entre as dunas não têm uma gota de mar. Elas nascem da chuva e do lençol freático, que fica logo abaixo da areia. Por isso, quando você mergulha, a água não arde nos olhos e não deixa sal na pele.

A água salgada existe, mas fica do lado de fora do campo de dunas. Você a encontra no mar aberto, na praia do Caburé e na foz do Rio Preguiças, onde o rio encontra o oceano. As lagoas ficam cheias por cerca de 4 meses, de junho a setembro, e baixam a partir de outubro. Abaixo, explicamos como isso funciona, segundo pesquisadores da UFMA e o ICMBio.

🌊 Resumo rápido

  • Tipo de água: doce, de chuva e do lençol freático.
  • Por que não some: uma camada de argila embaixo da areia segura a água.
  • Temperatura: morna, porque as lagoas são rasas e pegam sol o dia todo.
  • Tem peixe? Sim. A traíra é um dos peixes registrados no parque.
  • Dá para beber? Não é recomendado. Leve água mineral.
  • Água salgada: no mar, no Caburé e na foz do Rio Preguiças.
  • Lagoas cheias: de junho a setembro.

📋 Índice do guia

Lençóis Maranhenses: água doce ou salgada?

É doce. A dúvida é comum, sobretudo, porque o parque fica colado no Oceano Atlântico. Afinal, do alto, o azul das lagoas parece até um braço de mar. Mas as lagoas não recebem água do oceano. Elas enchem com a chuva, bem como com a água que sobe do subsolo.

Quem visita os Lençóis Maranhenses sente a água doce logo no primeiro mergulho. Ela é leve, clara e sem gosto de sal, porque não vem do oceano. Assim, não deixa aquela crosta branca na pele depois que seca. Por isso, muita gente sai da lagoa e nem sente vontade de tomar banho de chuveiro.

O ICMBio, que administra o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, descreve a área como um campo de dunas com lagoas de água doce, rios, restingas e mangues. O parque tem cerca de 155 mil hectares. Em 2024, aliás, ganhou o título de Patrimônio Mundial da UNESCO, justamente por esse encontro raro de dunas e lagoas.

Então, se a sua dúvida é se vai nadar em água de mar entre as dunas, a resposta é não. O sal fica na beira da costa, enquanto o interior do parque é um grande reservatório de água doce, que muda de tamanho conforme a chuva.

Como a água doce dos Lençóis Maranhenses se acumula

A explicação vem de pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que estudam o parque há anos. Eles comparam os Lençóis a uma grande esponja, pois a areia absorve a chuva, e a água fica guardada logo abaixo da superfície.

Segundo os pesquisadores da UFMA, o período chuvoso dura 6 meses, de janeiro a junho. Nesse tempo, de acordo com a UFMA, chove mais de 1.000 milímetros na região. Essa chuva entra na areia e encharca o lençol freático. Logo que ele enche, a água aflora nos vales entre as dunas e forma as lagoas temporárias.

Ou seja, a lagoa vem menos da chuva que caiu ali em cima e mais do subsolo. Ela é, em boa parte, o próprio lençol freático à mostra. Por isso surge nos vales, onde a água do subsolo está a pouco mais de 1 metro da superfície.

Os rios, inclusive, entram nessa conta. A equipe da UFMA estuda o Rio Negro, na zona mais preservada do parque. De acordo com eles, esse rio ajuda a sustentar a água subterrânea que alimenta as lagoas. Assim, vistos do alto, os braços do rio parecem veias ou raízes espalhadas pela areia.

Passo a passo da formação

  1. A chuva cai sobre as dunas, de janeiro a junho.
  2. A areia, que é muito porosa, deixa a água passar rápido.
  3. A água desce até encontrar a camada de argila e para ali.
  4. O lençol freático sobe e enche os vales entre as dunas.
  5. Surgem as lagoas, que ficam cheias de junho a setembro.
  6. Com o sol e o vento, a água evapora e baixa a partir de outubro.

A argila que segura a água doce nos Lençóis Maranhenses

Se a areia deixa a água passar tão fácil, por que ela não some de vez? A resposta está embaixo das dunas. Os estudos da UFMA mostram uma camada geológica feita de um material do tipo argila, muito compacto.

Essa camada funciona como uma barreira. Por isso, os pesquisadores comparam a argila a um cimento. Ela impede que a água desça mais fundo, de forma que nada se perde. Assim, a chuva fica presa na areia que está por cima, e o lençol freático sobe até a superfície.

Pense, por exemplo, numa bacia cheia de areia. Se você jogar água, ela some da vista, mas continua lá no fundo. Assim que a bacia enche, a água aparece nos pontos mais baixos. É mais ou menos isso que acontece nos Lençóis. A camada impermeável é o fundo da bacia.

Sem essa barreira, o parque seria um deserto de verdade. Graças a ela, a água doce fica nos Lençóis Maranhenses e o parque vira um campo de dunas cheio de lagoas. É também por isso que os moradores do parque acham água o ano todo. Mesmo na seca, basta cavar um pouco para que a água apareça a pouco mais de um metro.

Os Lençóis Maranhenses são um deserto?

Não. Parece um deserto, mas não é. Afinal, um deserto recebe muito pouca chuva ao longo do ano. Nos Lençóis, segundo a UFMA, chove mais de 1.000 milímetros só no primeiro semestre. A areia está lá, mas a água também. Ou seja, nos Lençóis Maranhenses a água doce convive com as dunas. O nome do parque vem da vista de cima: as dunas lembram lençóis brancos jogados sobre uma cama.

Temperatura e cor da água doce nos Lençóis Maranhenses

A água das lagoas é morna. Isso acontece porque muitas são rasas e ficam expostas ao sol forte do Maranhão o dia todo. A areia branca em volta também esquenta. Então, no fim da tarde, a água costuma estar bem agradável para um banho longo.

Não encontramos uma medição oficial de temperatura publicada pelo ICMBio para as lagoas. Por isso, não vamos cravar um número aqui. Em geral, o que dá para dizer é que a sensação é de água morna, bem diferente do mar gelado do Sul do país.

A cor muda de uma lagoa para outra. Algumas são verdes, por causa de algas e plantas aquáticas. Outras, porém, se misturam com a água dos rios e ficam mais escuras. As que acabaram de receber chuva tendem a ser mais claras. O vento e a areia solta na água, bem como a chuva recente, mudam a transparência.

Em Santo Amaro, a Lagoa da Betânia é um bom exemplo. Ali, a água do rio encontra as dunas e o tom fica mais escuro. Se quiser ver esse contraste de perto, leia o nosso guia de Santo Amaro nos Lençóis Maranhenses.

Comparativo rápido: lagoa, rio e mar

OndeTipo de águaDe onde vemComo é o banho
Lagoas entre as dunasDoceChuva e lençol freáticoMorna, clara e calma
Rio Preguiças (trecho de Barreirinhas)DoceRioEscura, com correnteza leve
Foz do Rio PreguiçasSalobraRio misturado ao marMuda com a maré
Praia do CaburéSalgada (lado do mar)Oceano AtlânticoOndas e vento
Praias de AtinsSalgadaOceano AtlânticoVento forte, bom para kitesurf
Tipo de água em cada ponto da região. Fonte: ICMBio e pesquisadores da UFMA.

Peixes na água doce dos Lençóis Maranhenses: traíra e outros

Sim, tem peixe nas lagoas. Isso intriga muita gente, já que boa parte delas seca todo ano. Um levantamento feito por pesquisadores da UFMA e publicado na revista científica Biota Neotropica, em 2019, registrou 49 espécies de peixes de água doce no parque e arredores.

A traíra, por exemplo, está na lista. É um peixe comum em lagoas e rios do Brasil, conhecido pelos dentes afiados. O mesmo estudo cita barrigudinhos, lambaris e pequenos peixes da família dos rivulídeos. Inclusive, os exemplares ficaram guardados na coleção de peixes da própria UFMA.

Às vezes, nas lagoas maiores, você sente peixinhos beliscando os pés. São pequenos e não fazem mal.

Como o peixe volta se a lagoa seca?

Essa é a pergunta que todo mundo faz, já que a lagoa some por meses. A lenda local diz que os peixes “pulam” do mar para as lagoas pelo arco-íris. No entanto, a explicação científica é outra. O professor Antonio Carlos Leal de Castro, que coordenou o Plano de Manejo do parque, explica que a areia continua úmida mesmo na seca, porque o lençol freático está muito perto da superfície.

Segundo ele, essa areia úmida guarda ovos e larvas de peixe numa espécie de pausa. Assim que a chuva volta e a lagoa enche, eles se desenvolvem e a vida recomeça. Às vezes, as lagoas se ligam aos rios na época de cheia, e os peixes chegam por esse caminho.

Dá para beber a água doce dos Lençóis Maranhenses?

A água é doce, mas isso não quer dizer que seja potável. Afinal, não existe análise oficial que libere o consumo direto das lagoas. Por isso, a recomendação é simples: não beba. Leve sua garrafa de água mineral para o passeio.

O motivo é real, já que o professor Castro alerta que muitas casas da região não têm fossa adequada. O esgoto pode chegar ao lençol freático, que é a mesma água que forma as lagoas. Os animais, inclusive, usam as lagoas. Ou seja, a água parece limpa, mas pode ter bactérias que você não vê.

Em geral, molhar o rosto e nadar não é problema para a maioria das pessoas. Mas evite engolir a água doce dos Lençóis Maranhenses durante o mergulho. Crianças pequenas pedem mais atenção, porque engolem água com facilidade.

O que levar para o passeio

  • Água mineral, pelo menos 1 litro por pessoa, mesmo nos passeios de meio dia.
  • Protetor solar e chapéu, porque a areia reflete o sol.
  • Roupa de banho já no corpo.
  • Saco plástico para guardar o celular.
  • Um lanche leve. Dentro do campo de dunas não há quiosques.

Uma regra do ICMBio, aliás, vale para todos: leve o seu lixo de volta. Nada de sabonete, xampu ou protetor em excesso dentro das lagoas. A água doce dos Lençóis Maranhenses é frágil e vira o lar dos peixes e das plantas a cada temporada.

Onde tem água salgada nos Lençóis Maranhenses

O parque tem praia, sim. E é ali que mora a água salgada. O campo de dunas termina no litoral, enquanto o mar aberto fica ao norte. Há três lugares onde você sente o sal, sobretudo perto da costa.

1. O mar aberto

As praias do litoral do parque são de oceano, com ondas e muito vento. A areia é larga e o horizonte não tem fim. Em Atins, sobretudo, esse vento atrai praticantes de kitesurf a partir do segundo semestre.

2. Praia do Caburé

O Caburé é uma faixa estreita de areia entre o mar e o Rio Preguiças. De um lado, há água salgada e ondas, enquanto o outro lado guarda o rio de água doce e calma. É um dos pontos mais curiosos da região, porque você troca de água em poucos passos. Em geral, a parada no Caburé faz parte do passeio de barco pelo rio.

3. A foz do Rio Preguiças

Perto de Atins e de Mandacaru, o Rio Preguiças chega ao mar. Nesse trecho, ao mesmo tempo, a água doce do rio se mistura à água do oceano. O resultado é uma água salobra, que muda com a maré. Por isso, você encontra mangues, que só crescem nesse tipo de ambiente.

Atins fica do outro lado do rio, em relação a Barreirinhas. Por terra, são cerca de 26 km de areia em 4×4, em cerca de 1 hora. Desse modo, dá para juntar no mesmo dia lagoa de água doce e praia de água salgada. O passeio ao Canto do Atins é uma boa forma de ver as duas coisas.

Quando a água doce enche os Lençóis Maranhenses

Como as lagoas dependem da chuva, a época da viagem muda tudo. A chuva cai de janeiro a junho. Em seguida, a água leva algumas semanas para subir no lençol freático. Depois, as lagoas ficam no nível mais alto de junho a setembro.

De outubro em diante, porém, o sol e o vento fazem a água evaporar. Aos poucos, de outubro a dezembro, muitas lagoas viram areia. Ainda assim, algumas, chamadas perenes, seguem com água o ano todo. Em Santo Amaro, a água costuma durar um pouco mais do que em Barreirinhas.

PeríodoO que acontece com as lagoasVale a visita?
Janeiro a maioChuva forte. As lagoas começam a encher.Para quem aceita dias de chuva
Junho a julhoLagoas cheias e água claraSim, auge das lagoas
Agosto a setembroLagoas ainda cheias, mais sol e ventoSim, ótimo equilíbrio
OutubroA água começa a baixarSim, com menos lagoas
Novembro a dezembroA maioria seca. Restam as perenes.Para quem quer ver as dunas
Ciclo das lagoas ao longo do ano, segundo o período chuvoso descrito pela UFMA.

Quer o calendário mês a mês? Veja o nosso guia de quando ir aos Lençóis Maranhenses. Se já tem a data, o roteiro dos Lençóis Maranhenses ajuda a dividir os dias.

Qual o mês mais chuvoso no Maranhão?

Na série do INMET para São Luís, a chuva mais forte cai de março a maio. É quando a água doce dos Lençóis Maranhenses mais sobe. Ainda assim, o passeio não para nessa época. Só vale ter um plano B, porque há dias de temporal.

Onde ficar para ver as lagoas

Há três portas de entrada, conforme o estilo de viagem. Barreirinhas é a mais estruturada e fica a cerca de 255 km de São Luís, em cerca de 4 horas de carro. Santo Amaro fica a cerca de 240 km da capital, em cerca de 3h40, e tem lagoas mais perto da cidade. Atins é a mais tranquila, pois fica perto da foz do rio.

Muita gente combina duas bases. Entre Barreirinhas e Santo Amaro, são cerca de 95 km, em cerca de 1h40. Assim você compara as lagoas dos dois lados do parque.

Vale fechar um pacote?

Se a ideia é ver as lagoas cheias e ainda conhecer o rio e o mar, um pacote para os Lençóis Maranhenses resolve a logística. O pacote Rota das Emoções e Rota das Areias tem 8 dias e 7 noites, no 2º semestre de 2026, de São Luís a Teresina. As saídas, inclusive, são às terças, sextas e domingos. Na consulta de 10/10/2026, o valor era a partir de R$ 4.431,00 por pessoa.

Prefere comparar outras opções? Na página de pacotes da Rota Combo você vê todos os roteiros. Um pacote Lençóis Maranhenses faz mais sentido principalmente em julho e agosto, quando as pousadas e os passeios lotam.

Perguntas frequentes

Como é a água dos Lençóis Maranhenses?

É doce, transparente e morna. Vem da chuva e do lençol freático, e não do mar. A cor varia entre azul, verde e tons mais escuros, conforme as algas, os rios e a areia solta.

Os Lençóis Maranhenses são um deserto?

Não. Parecem um deserto, mas chove mais de 1.000 milímetros de janeiro a junho, segundo pesquisadores da UFMA. Uma camada de argila embaixo da areia segura essa água e forma as lagoas.

Qual o mês mais chuvoso no Maranhão?

Em São Luís, a chuva mais forte cai de março a maio, segundo a série do INMET. O período chuvoso da região vai de janeiro a junho.

Quais são as 3 cidades dos Lençóis Maranhenses?

O parque fica em Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz. Para o turista, as bases mais usadas são Barreirinhas, Santo Amaro e o povoado de Atins.

As lagoas dos Lençóis Maranhenses secam?

A maioria seca entre outubro e dezembro, quando a chuva para e a água evapora. Algumas lagoas perenes seguem com água o ano todo.

Pode nadar nos Lençóis Maranhenses?

Pode. As lagoas são calmas e de água doce. Só evite engolir a água, não use sabonete e respeite as regras do ICMBio.

Os Lençóis Maranhenses têm praia?

Têm. O parque chega ao litoral, com praias de mar aberto. A praia do Caburé e a foz do Rio Preguiças são os pontos onde a água salgada fica mais perto da água doce.

Vale a pena fechar um pacote para os Lençóis Maranhenses?

Vale para quem quer juntar transfer, hospedagem e passeios numa reserva só, principalmente em julho e agosto. O pacote de 2º semestre da Rota Combo tem 8 dias e 7 noites, de São Luís a Teresina. Consulte o valor atualizado na página do pacote.

Fontes consultadas

  • ICMBio: página oficial do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
  • UFMA: pesquisadores que estudam a formação das lagoas e o Rio Negro, na zona primitiva do parque.
  • Biota Neotropica (2019): Brito e colegas, da UFMA, inventário de peixes de água doce do parque.
  • Professor Antonio Carlos Leal de Castro: coordenador do Plano de Manejo do parque, sobre peixes e qualidade da água.
  • INMET: série de chuva da estação de São Luís.
  • UNESCO: inscrição do parque como Patrimônio Mundial, em 2024.

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